Polipsicologia

Psicologia & Gestão de Pessoas
 

Dos 3 aos 6 anos, época de ensinar.

Na segunda infância, a preocupação com a saúde das crianças na escola deve ser intensificada. Isso porque neste período ocorre o desenvolvimento físico, psíquico e de habilidades sociais.

“Nesta fase, elas são mais vulneráveis, justamente por serem mais independentes. Elas andam e comem sozinhas, deixam as fraldas e vão ao banheiro sem os pais. Mas ainda não têm todas as noções de higiene e de perigo: não sabem se limpar e não entendem a necessidade de lavar as mãos antes de comer e depois de ir ao banheiro”, diz a pedagoga Ana Maria Lopes. Por isso, esta fase demanda proteção especial, ambiente seguro, acolhedor e propício ao desenvolvimento de suas potencialidades.

Política

Informação para dentro da classe

O ambiente escolar é o segundo local mais privilegiado para o desenvolvimento de ações e de educação em saúde, depois da família. Por este motivo, os Ministérios da Saúde e da Educação desenvolveram, a partir de 2007, o Programa Saúde na Escola (PSE). Dois anos depois, cerca de 8,4 milhões de estudantes de 695 cidades brasileiras foram beneficiadas pelas ações do programa destinado aos alunos do ensino básico público. Com o objetivo de estimular estilos de vida saudáveis, condutas de baixo risco e a compreensão de que saúde não é só ausência de doenças, o governo pretende alcançar a meta de atingir 23,5 milhões de crianças e adolescentes em todo o país em 2011.

A iniciativa financia e fornece materiais e equipamentos para as escolas e equipes de saúde e trabalha na integração das redes de serviços do setor educação e do Sistema Único de Saúde. A ideia é, por meio da realização de ações dirigidas aos alunos, fortalecer e sustentar a articulação entre as escolas públicas e as unidades básicas e de saúde da família.

De acordo com a definição da Organização Mundial da Saúde, no contexto escolar, educar para a saúde significa dotar os estudantes de conhecimentos, atitudes e valores que os ajudem a fazer opções e a tomar decisões adequadas em relação a sua saúde e ao seu bem-estar físico, social e mental.

Se a primeira infância é caracterizada pela rápida velocidade de desenvolvimento da criança, a idade pré-escolar – período que vai dos 3 aos 6 anos de idade – é uma fase em que a taxa de crescimento diminui consideravelmente. “O apetite é reduzido e, por serem muito ativos, nem sempre eles fazem uma pausa para comer”, explica Pascolat. Por isso, nesta fase é importante manter uma rotina para as refeições. “Pais e cuidadores são os responsáveis por estimular hábitos alimentares saudáveis, principalmente pelo exemplo”, diz a pediatra Rosângela Garbers.

No Colégio Santa Maria, a preocupação com a má alimentação e o sobrepeso chegou pela percepção dos professores de Educação Física. Para ajudar a desenvolver bons hábitos, foi realizado um trabalho de orientação sobre dietas equilibradas. Em parceria com acadêmicos de Nutrição, cerca de 120 crianças, entre 4 e 5 anos, aprenderam a cozinhar folhas e cascas de verduras, frutas e legumes. “É uma ótima fase para ensiná-los porque eles ainda estão experimentando novos sabores”, diz a assessora da Educação Infantil, Antoniella Cavassin.

Problemas de comportamento

Além de ensinar a comer direito, a psicóloga Isabela Poli lembra que, nesta fase, é preciso que os professores fiquem atentos a problemas de comportamento. “Raiva, desatenção, desinteresse e temor em participar de atividades propostas pela escola podem indicar que algo não está indo bem com a criança.”

Ela alerta que esses problemas podem ter uma raiz fisiológica, como miopia ou distúrbios auditivos. “Como a criança ainda não sabe identificar um problema de visão ou audição ela passa a atrapalhar os outros, deixa lições incompletas, aparenta ter preguiça ou desinteresse”, explica.

A fonoaudióloga audiologista Simone Bley defende uma campanha de audiometria no início das aulas para avaliação dos alunos. Sua equipe clínica realizou uma pesquisa e mostrou que 20% das crianças de 3 a 6 anos de Curitiba apresentam alterações auditivas que poderiam ser resolvidas com tratamento. Deste total, 80% apresentam dificuldades de aprendizado na escola.

Adaptação em xeque dos 7 aos 12 anos

Rodrigo Melo, de 10 anos, este ano começou a frequentar a 5.ª série do ensino fundamental. A maior preocupação de sua mãe, Ana Cristina Todeschini Melo, era a adaptação do filho a novos horários e ao maior número de professores. Para evitar a sobrecarga de mudanças, escolheu mantê-lo no período vespertino. “Es­te ano, ele terá de se adaptar aos professores e, no próximo, quando estiver na 6.ª série, que ele se preocupe com a mudança de horário”, diz.

De acordo com a hebiatra – médico especializado no atendimento multifatorial a adolescentes – Júlia Cordelini, a mudança de turno realmente pode comprometer a qualidade de vida da criança por algum tempo. “É preciso reorganizar o horário de dormir com pelo me­nos uma semana de antecedência porque a alteração pode trazer consequências físicas e mentais”, comenta. A médica explica que, se a criança não se acostumar a dormir mais cedo para acordar antes, não terá um sono de qualidade. “Se a criança levantar com sono, não terá vontade de tomar café e isso vai retardar todas as outras refeições, mexendo na rotina e no metabolismo”, afirma. Pouco sono também significa alterações no humor, sonolência, menor percepção do perigo e queda da imunidade, causada pelo estresse.

A médica ressalta que o peso da mochila e a postura também merecem atenção extra dos pais nesta fase da vida, para prevenir desvios de coluna durante o estirão do crescimento, que, nas meninas, acontece por volta dos 11 anos e, nos meninos, por volta dos 13. O peso da mochila não deve ultrapassar 10% do peso da criança e, na sala, de aula ela deve manter a postura da coluna ereta e apoiada no encosto da cadeira, sem precisar flexionar excessivamente o pescoço.

Isabela Tostes Poli
CRP Nº 08/10560

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/saude/conteudo.phtml?id=1101916

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